Por que as eleições também são assunto de saúde mental
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Das condições de vida às políticas públicas, entenda por que falar de saúde mental nas eleições vai muito além das propostas para a área da saúde.
Quando pensamos em saúde mental, é comum que as primeiras imagens que venham à cabeça estejam relacionadas ao cuidado individual: terapia, acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, descanso, atividade física e relações de apoio. Tudo isso importa. Mas nossa saúde mental também é construída e impactada pelas condições em que vivemos.
Ter acesso a uma educação de qualidade, morar em um território seguro, contar com transporte público adequado, ter oportunidades de trabalho e renda, acessar espaços de cultura e lazer e encontrar serviços públicos que funcionem são alguns dos fatores que atravessam a nossa saúde mental. Isso significa que falar sobre saúde mental também é falar sobre políticas públicas. E, em um ano eleitoral, essa relação ganha ainda mais importância.
Saúde mental para além da saúde
Uma política de saúde mental não começa e termina na oferta de atendimento psicológico ou psiquiátrico. Embora garantir acesso ao cuidado seja fundamental, promover saúde mental exige um olhar mais amplo para as condições que protegem ou colocam em risco a vida das pessoas.
Pense, por exemplo, em alguém que passa horas diariamente no transporte público. Em uma adolescente que não encontra espaços seguros de convivência em seu território. Em uma mulher sobrecarregada pelo trabalho remunerado e pelas responsabilidades de cuidado. Ou em uma família que vive sob constante insegurança financeira.
Nenhuma dessas situações pode ser explicada apenas por escolhas individuais.
A saúde mental é resultado de uma combinação de fatores individuais, sociais, econômicos e ambientais. Por isso, decisões tomadas em áreas como educação, assistência social, mobilidade, habitação, trabalho, segurança, cultura e meio ambiente também podem produzir impactos sobre a saúde mental da população.
É justamente aí que as eleições ganham um contorno importante para a saúde mental.
O que estamos escolhendo quando votamos?
Presidentes, governadores, senadores e deputados possuem atribuições diferentes. Mas as decisões tomadas por esses representantes ajudam a definir prioridades, políticas, leis e a destinação de recursos públicos que chegam, direta ou indiretamente, à nossa vida cotidiana.
Por isso, olhar para a saúde mental durante uma eleição não significa procurar apenas a expressão “saúde mental” nos planos e discursos das candidaturas. Significa também perguntar: que condições de vida essas propostas ajudam a construir?
Como tratam a educação? Que atenção dão à proteção social? Há propostas para ampliar oportunidades para adolescentes e jovens? Como abordam trabalho e renda, mobilidade urbana, moradia, cultura e lazer? Há compromisso com a prevenção e a promoção da saúde, além da assistência às pessoas que já estão em sofrimento?
Esse olhar ajuda a tirar a saúde mental de uma caixa isolada e entendê-la como uma questão transversal às diferentes áreas da gestão pública.
Da promessa à política pública
Também é importante ir além da simples presença do tema em um plano de governo. Uma proposta pode mencionar saúde mental e, ainda assim, não apresentar caminhos concretos para colocá-la em prática. É possível observar se existem objetivos claros, ações previstas, articulação entre diferentes áreas do poder público e atenção às populações que enfrentam maiores vulnerabilidades.
Outro ponto fundamental é entender o que cada cargo pode, de fato, fazer. As responsabilidades de um deputado são diferentes das de um governador; assim como as atribuições do Congresso não são as mesmas da Presidência da República. Conhecer essas diferenças ajuda a avaliar propostas com mais cuidado e, depois das eleições, a acompanhar e cobrar quem foi eleito.
Saúde mental é uma construção coletiva
As eleições são um dos momentos em que decidimos quais projetos e prioridades queremos ver orientando as políticas públicas nos próximos anos. Quando ampliamos o olhar sobre saúde mental, percebemos que essa discussão está presente em muito mais lugares do que parece.
Está na escola que acolhe. No transporte que permite chegar ao trabalho sem consumir horas do dia. Na praça onde crianças e adolescentes podem conviver. Na proteção oferecida a quem enfrenta violência. Nas oportunidades de trabalho e renda. No acesso à cultura, ao esporte e ao lazer. E, claro, em uma rede de atenção psicossocial acessível e qualificada para quem precisa de cuidado.
Por isso, incorporar a saúde mental ao debate eleitoral é também reconhecer que promovê-la é uma responsabilidade coletiva e uma tarefa que atravessa diferentes políticas públicas.
Para contribuir com esse olhar, o Instituto Cactus, em parceria com a EixoGov, desenvolveu os Guias sobre Saúde Mental e Eleições 2026, materiais gratuitos e apartidários voltados ao eleitorado e às candidaturas.
Os Guias ajudam a entender as responsabilidades de cada cargo, identificar como diferentes políticas públicas se relacionam com a saúde mental e observar de maneira mais qualificada as propostas apresentadas durante o período eleitoral.
Nesta reta final das eleições, ainda dá tempo de conhecer os Guias, refletir sobre as propostas apresentadas e ampliar o olhar sobre o lugar da saúde mental nas diferentes políticas públicas. Acesse os materiais e confira.